Foi bem-recebido por representantes empresariais o discurso do novo ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Armando Monteiro Neto. O que mais agradou foi o “equilíbrio” demonstrado pelo ministro entre a defesa do ajuste fiscal da nova equipe econômica e a reivindicação de espaço para as políticas industriais.
Uma das ideias anunciadas por Monteiro é lançar medidas com pouco impacto para as contas do governo, como desburocratização de processos aduaneiros e simplificação tributária, para estimular as vendas de produtos brasileiros ao exterior.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, elogiou o discurso e lembrou que algumas das medidas em questão já foram discutidas com a nova equipe econômica, mas que ficaram faltando alguns pontos. “Tenho certeza que o programa dele será bastante eficiente”, comentou.
O novo ministro, que comandou a CNI entre 2002 e 2006, apresentou em seu discurso de posse ideias que ele defendia quando estava à frente da entidade. “Ele tem uma visão moderna da necessidade do país e da indústria”, reiterou o atual presidente da CNI.
Andrade, Monteiro Neto e o presidente da Anfavea, Luiz Moan, também se manifestaram contra a eventual recriação da CPMF, o chamado “imposto do cheque”. Para o ministro do Desenvolvimento, a volta do imposto seria um “retrocesso”.
O empresário Jorge Gerdau também disse ter gostado do que ouviu. Para ele, apesar do ajuste que será imposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é possível combinar medidas que estimulem a indústria.
Outro setor animado com a nova equipe econômica é o sucroalcooleiro. Para a presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, o ajuste fiscal prometido vai favorecer as usinas. Isso porque medidas visando o aumento da arrecadação, como a recriação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incidia sobre o preço da gasolina, dará mais competitividade ao etanol.
Fonte: Valor Econômico