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A jovem empresária dona de sex shop que retomou o associativismo em Quinta do Sol

Leila é presidente da AciaQsol há cinco anos
Leila é presidente da AciaQsol há cinco anos

A empresária Leila Rosa Menechini tinha 28 anos quando recebeu o primeiro convite para reativar a Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Quinta do Sol (AciaQsol), fechada há 10 anos. A proposta foi feita em 2013 por colegas empresários, mesmo ano em que Leila havia fechado sua loja de produtos íntimos, o único sex shop da cidade, por problemas pessoais. “Na época, eu estava fazendo apenas vendas na casa dos clientes, como vendedora ambulante”, conta ela.

Era empresária desde 2008, quando começou a trabalhar com roupas e perfumaria. Porém, o carro-chefe das vendas sempre foram as lingeries e os produtos íntimos. O atendimento era personalizado. Às vezes, na casa de clientes durante a noite, em outras, na própria loja, mas a portas fechadas. “Muitos clientes preferem não entrar na loja durante o horário comercial”, diz Leila.

Primeiro curso do SPC Brasil em Quinta do Sol
Primeiro curso do SPC Brasil em Quinta do Sol

Apesar de já ter experiência em administração por ter passado por outras entidades da região, Leila não aceitou a proposta de assumir a associação de Quinta do Sol. O convite veio mais duas vezes, que ela também recusou. Quando finalmente disse sim, a jovem empresária sabia que não havia aceitado o desafio de ser apenas presidente, mas de reerguer a AciaQsol. “A associação comercial tinha dívidas e não havia funcionários”.

Leila começou trabalhando oito horas por dia na entidade. Era presidente, secretária, executiva, e também limpava o espaço. “Não fazia ideia de como funcionava a associação, mas me dispus a aprender”. O tempo que sobrava no seu dia, seguia com as vendas de produtos de sex shop. O ponto comercial foi reaberto um tempo depois.

Assim foi a vida de Leila durante dois anos. Nesse tempo, de 18 associados, a AciaQsol passou a ter 39. Só então, a entidade fez sua primeira contratação. “Eu recebia meio salário. Quando contratamos nossa funcionária, sugeri que eu parasse de receber o recurso para me tornar apenas presidente voluntária”, lembra Leila. Mas até hoje, ela conta que “continua fazendo de tudo um pouco”.

“Eu batalhava muito para conseguir treinamentos. Agora, recebo propostas”, comemora Leila
“Eu batalhava muito para conseguir treinamentos. Agora, recebo propostas”, comemora Leila

A decisão de Leila de reerguer a associação comercial refletiu no comércio do município. A entidade criou eventos e implantou serviços do SPC Brasil e outros como o cartão Aciaqsol junto com a Cooper Card. Além disso, trabalhou em ações para combater a inadimplência e mudar a cultura de consumidores que estavam habituados a comprar fiado. “Trabalhamos para diminuir a inadimplência no crediário das empresas, dando treinamento para seus colaboradores”, afirma ela. Outra preocupação foi conhecer melhor os clientes para organizar ações mais assertivas. “Isso foi um atrativo muito grande para o associado, que começou a ver que a entidade estava preocupada com os problemas das empresas”.

O resultado foi o fortalecimento da marca da AciaQsol. Os comerciantes do município passaram a confiar e a apostar na associação. “Eu batalhava muito para conseguir treinamentos. Agora, recebo propostas”, comemora ela.

Leila e empresárias da região
Leila e empresárias da região

Hoje, os shoppings da região e o Sebrae também são parceiros. Assim como a prefeitura, que cedeu um prédio público para a associação, o que possibilita uma economia importante de recursos já que despesas como aluguel, luz e água são assumidas pelo poder público.

Depois de cinco anos à frente da AciaQsol, Leila agora prepara um sucessor. “Acho importante renovar”. Segundo ela, foram anos de muito aprendizado e crescimento. “O que aprendi à frente da associação eu vou levar por toda a minha vida. Estou saindo, mas o associativismo nunca vai sair de mim”.

 

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