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Comércio de Ponta Grossa tem pior resultado em dez anos

As lojas do comércio de Ponta Grossa amarguraram o pior dezembro dos últimos anos. Levantamento feito pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), junto a mais de 30 empresas de diversos setores do varejo no município, revela que 90% delas apresentaram queda nas vendas de fim de ano em relação a 2013. Na média, segundo Nilton Fior, presidente da Associação, as vendas reais apresentaram uma queda média de 10 a 15% em relação às registradas no ano passado.

“A previsão era de que houvesse um crescimento de 8%, mas não foi o que houve; não ocorreu como o esperado. Pesquisamos, junto aos associados, que em torno de 90% deles venderam menos que no ano passado nessa época de Natal”, relata o dirigente. José Loureiro, Presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas PG) e empresário dos setores de fogos de artifício e de doces, também reconhece que o período foi bastante delicado para os lojistas. “Foi o pior dezembro dos últimos anos. Nunca vi as vendas caírem em dezembro, sempre tem alta. Mas, no meu segmento, por exemplo, as vendas caíram 10%”, completa.

Para Fior, três fatores fizeram com que as vendas fossem reprimidas. “O aumento da inflação gerou perda do poder de compra do consumidor. Em segundo, o próprio endividamento das famílias, com as compras no crediário no decorrer de 2014, não possibilitaram novas compras no fim do ano. E o encarecimento do credito, mais difícil e mais caro com a alta taxa de juros, também desestimulou as compras de dezembro”, explica. Diante disso, segundo ele, o consumidor ficou mais cauteloso, e economizou para os tradicionais gastos de janeiro. Segundo o estudo, o setor que teve maior queda foi o de eletrodomésticos, por ter um valor agregado maior, enquanto que o setor de calçados foi um dos poucos que vendeu mais que em 2013.

O empresário Gilberto Chrestani, que atua no setor de óticas, revelou que, no acumulado do ano (de janeiro a dezembro), as vendas cresceram 1,5% em relação a 2013, mas que, em dezembro, a queda nas vendas foi bastante acentuada. “Se considerar a inflação, esse 1,5% não representa uma evolução, mas comparando dezembro com dezembro, tive uma queda de 14%. É bastante. Achamos que isso se deve ao endividamento do povo, que as pessoas pegaram o 13º salário e pagaram as contas que deviam”, relata.

Projeção é de baixas vendas em 2015

Apesar das baixas nas vendas no fim de ano, o cenário continua nada animador para 2015. Fior classifica 2015 como um ano ‘preocupante’, e arrisca dizer que, se as vendas forem iguais às de 2014, que foram negativas em relação a 2013, pode ser considerado um fato positivo. “Em função do que está para acontecer, com a elevação da energia elétrica, alta nos combustíveis, crescimento na taxa de juros, neste primeiro semestre, se for igual 2014, está ótimo. A previsão para 2015 é preocupante, temos que sobreviver”, diz. Loureiro diz que pretende fazer uma reunião com empresários para discutir como amenizar as perdas, estudando alguma forma de campanha. “Vamos ter que fazer promoções para baratear os custos. Os comerciantes devem ir com cautela, fazer o mínimo de prestação possível”, completa Chrestani.

 

Fonte: Jornal da Manhã

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