Desde 1996, a Araupel, uma das mais importantes reflorestadoras e indústrias de derivados da madeira no Sul do País, enfrenta os excessos praticados pelo MST. Já foram cinco invasões, as últimas duas em menos de um ano e que provocam prejuízos à empresa superiores a R$ 15 milhões, disse quinta à noite na Acic, o sócio-proprietário Tarso Giacomet. As reintegrações de posse foram conseguidas nos mesmos dias das invasões e, a exemplo de outras 70, aguardam a ordem do Estado para serem cumpridas.
Enquanto o governo não cumpre a lei, as invasões geram clima de insegurança no campo e nas cidades. O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Quedas do Iguaçu, Reni Fernande Felipe, falou que a vida de uma comunidade inteira, de 33 mil habitantes, foi seriamente afetada. Os níveis de violência cresceram exponencialmente e as pessoas se sentem abandonadas. “Não somos contra a reforma agrária, mas não é assim, com invasão a área produtiva e usando a força, que as coisas vão se resolver e melhorar no Brasil”, afirmou.
Tarso relatou que há 19 anos, sem qualquer punição, o MST comete diversos crimes, como a matança de animais, o furto e a venda ilegal de madeira, o corte de árvores centenárias em áreas de conservação e ameaças diversas aos moradores do entorno. O objetivo do Movimento não é a posse da terra, e sim criar e dar sustentação a uma rede de exploração que beneficia os líderes sem-terra. “São pessoas inescrupulosas que vendem e arrendam lotes, que furtam, comercializam e ficam com o dinheiro”. A Araupel tem documentos de posse da área da época do império.
A Giacomet está nas propriedades de Pinhal Ralo e Rio das Cobras há 43 anos, gera 1,2 mil empregos e faz circular R$ 60 milhões por ano na economia de Quedas do Iguaçu e região. O advogado Leandro Salomão disse que se o direito de um é ferido, o de todos está em risco. “Esse é um tema que não deveria estar à mesa, mas está em função de o Brasil ser um país sem lei, que não respeita nada e onde os direitos são relativos”. Enquanto o Estado não observa as leis, pessoas de bem perdem a esperança, veem seus sonhos destruídos e se sentem impotentes e abandonadas.
Fonte: Caciopar