Não faz mais sentido levar em consideração a renda para explicar o comportamento de consumo. A afirmação é do publicitário Renato Meirelles, presidente do Instituto de Pesquisa Locomotiva. Ele foi um dos palestrantes do Congresso Empresarial Paranaense, organizado pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), em Foz do Iguaçu, nesta quinta-feira (01).
Segundo Meirelles, a classe C continua sendo um grande mercado consumidor, representando 54% da população brasileira. Mas com as dificuldades que o Brasil passou nos últimos anos e a velocidade das mudanças que ocorreram no país, a classe C deixou de ser um grupo homogêneo. “Eu encontro na nova classe média brasileira, por exemplo, um professor de ensino médio e um operário da construção civil”, explicou ele. “Não tem como achar que pessoas tão diferentes compram e consomem da mesma forma”.
De acordo com Renato Meirelles, as pessoas não pertencem mais a uma classe. Estão se organizando de uma forma própria para cada assunto. “Para algumas decisões de consumo, olhar o acesso à internet é mais importante do que olhar a renda. Para outras, a escolaridade”, exemplifica ele.
Em debate com o vice-presidente da Faciap, Marco Tadeu Barbosa, Renato Meirelles encerrou a palestra com uma mensagem otimista aos empresários, pedindo que eles não desistam. “Pode parecer impossível hoje, mas acreditem, a crise vai acabar. E as empresas que estiverem sintonizadas com o seu consumidor serão as que vão largar na frente na retomada econômica que o nosso país vai ver logo mais”.



