A inadimplência segue em trajetória de alta no Paraná, refletindo um cenário de maior pressão sobre o orçamento das famílias. Em fevereiro de 2026, o número de consumidores negativados cresceu 9,28% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do avanço, o ritmo ficou abaixo da média nacional, de 10,22%, e também da região Sul, que registrou alta de 9,81%, indicando que, embora o problema seja relevante no estado, ele se intensifica de forma ainda mais acentuada em outras partes do país.
Na comparação mensal, o crescimento foi de 0,96% entre janeiro e fevereiro, reforçando uma tendência de elevação contínua, ainda que sem aceleração brusca.
Dívidas avançam mais rápido que o número de devedores
Mais do que o aumento no número de inadimplentes, chama atenção a evolução do volume de dívidas, que cresceu 16,48% no período de um ano — um ritmo significativamente superior ao da entrada de novos devedores. Esse descompasso indica que o problema não está apenas na ampliação da base de inadimplentes, mas no agravamento da situação de quem já enfrenta dificuldades financeiras.
Na prática, isso significa que consumidores negativados estão acumulando novos compromissos em atraso, aprofundando o endividamento e tornando mais lenta a recuperação.
Perfil mostra inadimplência persistente
O perfil do inadimplente no estado ajuda a entender a dimensão do problema. A maior concentração está na faixa dos 30 a 39 anos, que responde por 26,05% dos casos, com participação praticamente equilibrada entre homens e mulheres. A idade média é de 45,1 anos, o que evidencia o impacto direto sobre a população economicamente ativa.
Outro dado relevante é o tempo médio de atraso, que chega a 29,4 meses — cerca de dois anos e meio. Além disso, uma parcela significativa dos consumidores permanece inadimplente por períodos entre um e três anos, indicando dificuldade prolongada de reorganização financeira.
Crédito lidera e reforça atenção do mercado
Em média, cada consumidor negativado no Paraná devia R$ 6.043,65, embora uma parcela expressiva concentre dívidas de menor valor: mais de um terço possui débitos de até R$ 1 mil. Esse dado mostra que pequenas pendências, quando acumuladas, também contribuem para o agravamento do quadro.
O sistema financeiro concentra a maior parte das dívidas, com 61,43% do total, seguido por comércio, serviços e contas básicas. Além disso, cada inadimplente possui, em média, 2,48 dívidas em atraso, número superior ao observado no conjunto do Brasil.
O cenário reforça um ponto de atenção para o ambiente econômico: embora o estado apresente desempenho ligeiramente melhor do que a média nacional, a combinação entre aumento da inadimplência, crescimento do volume de dívidas e longo tempo de permanência no vermelho indica um processo mais estrutural, que exige cautela tanto por parte dos consumidores quanto das empresas na gestão do crédito.
Inadimplência no Brasil
A inadimplência também avança no Brasil, atingindo 73,74 milhões de consumidores em fevereiro de 2026 – o equivalente a 44,11% da população adulta. Em um ano, o número de devedores cresceu 10,22%, enquanto o volume de dívidas avançou ainda mais, com alta de 17,76%.
Em média, cada inadimplente deve R$ 4.992,43 e possui 2,29 dívidas em atraso. O tempo médio de inadimplência é de 28,9 meses, evidenciando a dificuldade de recuperação financeira e o caráter prolongado do endividamento no país.
Confira os gráficos da inadimplência no Brasil (PF e PJ), no Paraná e regiões:
– Estado do Paraná
– Brasil – Pessoa Física – Fev 2026
Recuperação-Reincidentes-PF-BRASIL
