O jornalista, apresentador e escritor Marcelo Tas abriu a programação da tarde no Congresso Empresarial Faciap com uma reflexão sobre “A comunicação na aceleração digital”, destacando os desafios de se comunicar com clareza e empatia em um mundo dominado pela tecnologia e pela velocidade da informação.
Durante sua apresentação, Tas abordou o que chama de “viés da comunicação” — o conjunto de filtros e influências que moldam a forma como uma mensagem é emitida, recebida e interpretada. Ele explicou que não existe comunicação neutra: toda mensagem carrega a visão, as emoções e as crenças de quem fala, além de ser influenciada pelo meio e pelas percepções de quem escuta.
O comunicador ressaltou que, na era digital, esse viés se amplifica, já que as redes sociais e as novas plataformas privilegiam conteúdos rápidos, emocionais e, muitas vezes, polarizados. Por isso, defendeu que o bom comunicador é aquele que reconhece seus próprios filtros, busca compreender o outro e comunica com propósito e empatia.
Para Tas, comunicar-se bem hoje significa equilibrar tecnologia e humanidade, utilizando as ferramentas digitais sem perder o olhar sensível e a escuta ativa — capazes de gerar conexões verdadeiras e transformadoras.
“O celular hoje pode ser um problema de saúde. Temos que ter consciência de que, às vezes, no melhor da festa, no momento mais emocionante, a gente insere um viés”, disse Tas. “Não quero dizer que isso é certo ou errado, mas que, às vezes, é melhor viver intensamente o momento.”
Mudança de direção
Marcelo Tas também falou sobre a necessidade de transformar o viés em colaboração. Para ilustrar, citou o exemplo de um navio transatlântico, comparando-o às empresas e à dificuldade de mudar de rumo.
“Essa dificuldade de mudança ocorre também nas empresas. Se o comandante não fizer mudanças, não haverá mudanças”, afirmou.
Segundo Tas, é fundamental ter consciência da mudança como um processo de aprendizado coletivo. “Um encontro como este é muito precioso. Reunir pessoas reconhecidas, que têm a capacidade de facilitar grandes mudanças, é essencial”, disse.
Ele encerrou sua fala citando o arquiteto e inventor Buckminster Fuller:
“Você nunca muda as coisas brigando com a realidade existente. Para mudar alguma coisa, construa um novo modelo que faça o anterior ficar obsoleto.”