O ano de 2025 foi desafiador para o setor de materiais escolares no Paraná. Empresários do setor papeleiro sentiram de forma significativa os impactos da decisão do Governo do Estado de manter a política de compra centralizada de kits escolares, por meio de licitação.
Mesmo após diversas reuniões realizadas com representantes do setor empresarial na Secretaria da Educação, na Secretaria da Fazenda e no Palácio Iguaçu, o governo estadual manteve sua posição.
A manutenção da compra centralizada de kits escolares tem gerado efeitos econômicos negativos evidentes. Papelarias em todo o Paraná enfrentam estoques parados, queda expressiva nas vendas justamente no período mais estratégico do ano e dificuldades para manter empregos e a sustentabilidade de seus negócios. Soma-se a isso o alto custo logístico envolvido na distribuição dos kits, um fator que poderia ser significativamente reduzido com soluções mais eficientes e descentralizadas, em plena era da tecnologia.
Cartão magnético
Entre as alternativas apresentadas pelo setor, destacou-se a proposta de criação de um cartão magnético exclusivo para a compra de material escolar, destinado aos estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública estadual. A medida permitiria que as famílias adquirissem os materiais diretamente nas lojas do setor, fortalecendo a economia local, garantindo maior autonomia na escolha dos itens e preservando empregos em todos os municípios paranaenses.
A proposta tem como referência iniciativas já adotadas com sucesso em diversos municípios e no Estado de São Paulo, que por meio do Projeto de Lei nº 795/2024, que instituiu o “Programa Cartão Material Escolar”. Estudos técnicos foram apresentados, demonstrando a viabilidade econômica do cartão, com valores compatíveis aos atualmente gastos pelo Estado na compra dos kits.
Ainda assim, a proposta não foi incorporada pelo governo, tampouco houve indicação de avanço no debate. Na avaliação do setor, permanece o entendimento de que havia espaço para a construção conjunta de uma política pública mais eficiente, equilibrada e alinhada ao desenvolvimento regional.
Os empresários do setor de materiais escolares, representados pelo Sistema Faciap (associações comerciais e coordenadorias), permanecem mobilizados e confiantes de que, em 2026, o Governo do Estado possa avançar para uma postura ainda mais aberta ao diálogo. Trata-se de um setor, composto de aproximadamente 28 mil empresários, presente nos 399 municípios paranaenses, com papel relevante na geração de empregos, renda e no fortalecimento da economia local, especialmente entre pequenos e médios empreendedores.
Mais do que uma reivindicação corporativa, a defesa do cartão material escolar é uma proposta de política pública moderna, que concilia o atendimento aos estudantes da rede pública com o fortalecimento da economia paranaense. O setor espera que esse entendimento prevaleça nos próximos debates.
