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Reincidência na inadimplência avança e recuperação de crédito perde força

A inadimplência no Paraná segue acompanhada de um fenômeno cada vez mais preocupante: o retorno recorrente dos consumidores aos cadastros de devedores. Dados do Banco de Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) na Faciap mostram que, em abril de 2026, 86,97% das negativações registradas no estado foram de consumidores reincidentes — pessoas que já haviam tido o nome negativado nos últimos 12 meses.

O levantamento revela que grande parte desse público permanece em um ciclo contínuo de endividamento. Entre os reincidentes, 68,78% ainda não haviam quitado dívidas antigas e acabaram acumulando novas pendências financeiras. Outros 18,19% chegaram a regularizar a situação, mas voltaram à inadimplência ao longo do período analisado.

Na prática, apenas 13,03% das negativações registradas em abril envolveram consumidores sem histórico recente de inadimplência. Além da elevada participação dos reincidentes, o indicador aponta crescimento de 15,60% no número de pessoas que retornaram aos cadastros de inadimplentes nos últimos 12 meses encerrados em abril de 2026.

Faixa entre 30 e 39 anos lideram reincidência

A faixa etária de 30 a 39 anos concentra o maior volume de reincidentes no Paraná, representando 28,87% dos casos. Na sequência aparecem consumidores entre 40 e 49 anos (23,65%) e de 50 a 64 anos (19,87%).

A idade média dos reincidentes é de 42,8 anos. As mulheres representam 52,41% desse público, enquanto os homens somam 47,59%.

Outro dado que evidencia a dificuldade financeira das famílias é o curto intervalo entre uma dívida e outra. Entre os reincidentes, o tempo médio entre o vencimento de uma pendência e o surgimento de uma nova dívida é de apenas 69,9 dias — pouco mais de dois meses.

Recuperação de crédito recua

Enquanto cresce o número de consumidores que retornam à inadimplência, diminui a quantidade de pessoas que conseguem recuperar o crédito.

Segundo o SPC Brasil, o número de paranaenses que regularizaram a situação financeira caiu 3,07% em abril de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar da retração, o desempenho do estado foi menos negativo que o da Região Sul, que registrou queda de 7,77%. No cenário nacional, a redução foi de 2,92%.

Os dados indicam que a principal dificuldade está entre os consumidores que levam mais tempo para quitar os débitos. O grupo que demorou entre um e três anos para pagar integralmente as dívidas apresentou queda de 21,60% nas recuperações de crédito.

Tempo médio para quitar dívidas  

O levantamento mostra que o consumidor paranaense leva, em média, 10,7 meses para sair da inadimplência. Ainda assim, metade das recuperações ocorre em períodos mais curtos: 50,17% dos consumidores conseguiram quitar as dívidas em até 90 dias.

A faixa etária com maior participação entre aqueles que recuperaram o crédito é a de 50 a 64 anos, representando 26,38% do total. A idade média desse público é de 48,2 anos.

Em relação aos valores negociados, cada consumidor recuperado pagou, em média, R$ 3.447,18 para regularizar a situação financeira. Quase metade deles quitou dívidas de até R$ 500.

Os indicadores reforçam o cenário de pressão sobre o orçamento das famílias e mostram que, embora muitos consumidores consigam renegociar pendências, grande parte retorna rapidamente ao ciclo da inadimplência.

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