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Redução da jornada pode elevar custo da folha das empresas em até 20%

A proposta de reduzir a jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com a mudança da escala 6×1 para 5×2, pode provocar um aumento significativo nos custos trabalhistas das empresas do comércio e da indústria no Paraná. Estudo técnico elaborado pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) aponta que a mudança pode elevar o custo da folha de pagamento entre 15,7% e 20,3%, dependendo do setor e do porte das empresas.

O levantamento faz parte de uma análise mais ampla sobre os possíveis efeitos econômicos da redução da jornada de trabalho, tema que atualmente está em discussão no Congresso Nacional. O estudo está sendo apresentado nesta semana a deputados federais e senadores, em Brasília, pelo diretor de Relações Governamentais, Michel Fernando Becker, e pela gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Faciap, Helena Arriola Sperandio, com o objetivo de contribuir para o debate legislativo sobre a proposta.

Segundo a entidade, o aumento do custo da folha está diretamente relacionado à necessidade de reorganização da jornada de trabalho nas empresas caso a mudança seja aprovada.

Reorganização das equipes

Com a redução da jornada semanal para 40 horas, empresas que hoje operam com a escala 6×1 teriam de redistribuir as horas de trabalho para manter o mesmo nível de produção ou atendimento ao público.

Isso pode exigir a contratação de novos funcionários para recompor as horas reduzidas ou o aumento do pagamento de horas extras para os trabalhadores já empregados.

Ambas as estratégias geram aumento no custo da mão de obra e impactam diretamente a folha de pagamento das empresas.

Impacto na estrutura de custos

De acordo com o estudo, a elevação da folha de pagamento pode variar conforme características de cada empresa, como o número de funcionários, o nível salarial e o modelo de organização da jornada de trabalho.

Em setores mais intensivos em mão de obra, como o comércio varejista e parte da indústria, o impacto tende a ser mais expressivo, justamente porque o funcionamento das atividades depende diretamente da presença de trabalhadores.

Nesse contexto, a elevação dos custos trabalhistas pode afetar a estrutura financeira das empresas e influenciar decisões relacionadas à contratação de funcionários, expansão de atividades e investimentos.

Debate sobre os efeitos econômicos

A Faciap afirma que o estudo técnico busca contribuir para qualificar o debate sobre a proposta de redução da jornada de trabalho no país, apresentando estimativas baseadas em dados oficiais do mercado de trabalho e simulações estatísticas.

Para a entidade, compreender os efeitos da medida sobre os custos das empresas é um elemento importante para avaliar os possíveis impactos da proposta sobre a competitividade do setor produtivo, a geração de empregos e o funcionamento da economia.

Segundo a federação, a análise pretende oferecer subsídios técnicos para que empresários, trabalhadores e formuladores de políticas públicas possam discutir o tema com base em evidências e estimativas concretas sobre seus efeitos econômicos.

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