A Operação Lava Jato também poderia ser chamada de um escândalo de paranaenses, a começar pelo protagonista, o doleiro Alberto Youssef, natural de Londrina, norte do Paraná.
Além dele, que também já se envolveu em esquemas de corrupção na cidade natal e em Maringá, outros quatro paranaenses estão no cerne da operação: o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, de Telêmaco Borba, região dos campos gerais, o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, de Terra Roxa, oeste do Estado, o ex-deputado André Vargas (ex-PT), que teve o mandato cassado, de Assai, região norte, mas que fez carreira política em Londrina, e a senadora Gleisi Hoffmann (PT), que é de Curitiba, e teria recebido do doleiro R$ 1 milhão como doação para campanha eleitoral em 2010, por intermédio do marido e ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (PT). Por fim, o juiz federal que comanda as investigações, Sérgio Moro, é de Maringá.
Youssef
Especialista no desvio de recursos públicos, o doleiro já negociou uma delação premiada com a Justiça em Maringá, quando esteve envolvido em um esquema de corrupção, no início dos anos 2000, onde se calcula um desvio de R$ 100 milhões, em valores da época.
Hoje, a defesa de Youssef tenta convencer a Justiça Federal que ele não liderou o esquema de desvio de recursos da Petrobras. Em depoimentos de delação premiada, o doleiro preso apontou os nomes de políticos que receberam propina, o que pode aumentar a lista de paranaenses envolvidos no escândalo, em fevereiro.
Costa
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras afirmou ter recebido, em acordo de delação premiada, US$ 1,5 milhões para não atrapalhar a compra de refinaria de Pasadena, no s EUA. As quebras de sigilo apontavam também que Costa repassava os maiores valores recebidos no esquema para contas próprias ou de seus familiares.
Vaccari Neto
O ex-tesoureiro do PT é investigado pela possível articulação do pagamento de propina a dirigentes do fundo de pensão dos funcionários da Petrobras para repassar recursos a empresas envolvidas no esquema.
Vargas
Em dezembro do ano passado, Vargas teve o mandato de deputado federal cassado. Ele foi acusado de quebra de decoro por manter relações com Youssef. Inclusive,Vargas teria usado um jatinho alugado pelo doleiro durante uma viagem de férias com a família para o Nordeste .
Juiz
Eleito personalidade de 2014, na 12ª edição do Prêmio Faz Diferença, o juiz maringaense, de 42 anos , tem histórico de sucesso em casos notórios de lavagem de dinheiro há 11 anos. Depois de estudar sobre o assunto nos Estados Unidos, ele também escreveu um livro sobre o tema.
Moro recebeu elogios por duas importantes decisões táticas na Operação Lava Jato: permitir a delação premiada de Youssef e perseguir executivos de companhias privadas, acumulando provas antes de ir atrás dos políticos envolvidos.
Fonte: O Diário do Norte do Paraná