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Empresários estimam aumento da ilegalidade com a redução de cota

Economias frágeis sentem com força as oscilações que atingem principalmente o câmbio das moedas que ditam as regras do comércio internacional. O movimento do dólar impacta nas principais e também nas periféricas economias do continente americano, caso respectivamente de Brasil e Paraguai. Para o primeiro, a valorização da moeda dificulta as importações e melhora o retorno nas exportações, para o Paraguai, no entanto, a forte escalada dos últimos cinco meses tem um efeito devastador, a redução gradual do movimento de consumidores, basicamente brasileiros.

Cidade do Leste, que faz divisa com Foz do Iguaçu, enfrenta o recuo dos negócios já há algum tempo, mas além do câmbio desfavorável, a revitalização da Ponte da Amizade, iniciada segunda-feira e que provoca filas e reclamações tanto de brasileiros como de paraguaios, é um fator negativo adicional. O desafio em Salto del Guairá, que faz divisa com Guaíra, não é menor. O temor está nos efeitos que o possível retorno da cobrança do pedágio da Ponte Ayrton Senna, intencionada pelo Governo do Paraná, poderá provocar caso, de fato, concretizada. O pedágio foi suspenso no fim da gestão do ex-governador Roberto Requião, em 2005.

Câmbio

A moeda norte-americana tem cotação, dependendo da loja, entre R$ 2,75 e R$ 2,85 no Paraguai. Bem diferente daquela de um ano atrás, próxima de R$ 2,30. A queixa dos brasileiros é que, além de o câmbio estar elevado, os preços nas cidades do país vizinho estão em dólar mais caros do que tradicionalmente, com isso a viagem e os riscos não compensam. “Muitos itens, de vestuário e até de alguns eletroeletrônicos, e celulares, estão mais baratos no Brasil”, comenta Evandro José, de Cascavel, que esteve no fim de semana em Salto Del Guairá. “Está tudo muito caro”, afirma ele. Depende do setor, mas as vendas estão entre 40% e 65% inferiores ao mesmo período do ano passado, informam comerciantes que há anos atuam na cidade paraguaia.

Quem costuma frequentar as lojas do país vizinho atrás de preços mais atrativos está desanimado e não vê outra saída para os lojistas que quiserem mesmo se manter ativos no mercado: “Se os comerciantes paraguaios não baixarem os preços, na casa dos 30%, então terão prejuízos absurdos e correrão o risco de fechar as portas”, diz um consumidor assíduo das lojas paraguaias e que prefere ter sua identidade preservada. “Como não têm nas costas o mesmo peso da carga tributária brasileira eles podem e devem ser mais competitivos. Caso contrário, vão quebrar, já que não existe qualquer chance, a curto prazo, de o dólar recuar”.

Outro golpe duro nas expectativas de lucro dos paraguaios virá na metade do ano, quando o governo brasileiro colocará em prática o que queria ter feito ainda em setembro. Dessa vez não haverá recuo, o Brasil reduzirá a cota de compras para viagens terrestres dos atuais US$ 300 (R$ 810) para US$ 150 (R$ 405). Um dos receios desse tipo de medida, segundo o presidente do Conselho de Turismo de Foz do Iguaçu, Paulo Angeli, é empurrar um número maior de compristas para o desrespeito à norma. Aliás, uma estratégia da qual o governo brasileiro, pela sua falta de visão e de planejamento, é campeão.

Mesmo com as dificuldades e riscos de retração ainda maior, investimentos milionários ocorrem em Cidade do Leste e em Salto del Guairá. Alguns shoppings, a exemplo do Mercosur, na região que faz divisa com Guaíra, custaram algumas dezenas de milhões de reais. Diante do cenário, a saída para o comércio no Paraguai é uma só: reinventar-se para sobreviver, consensuam especialistas.

Acordo binacional

Cidade do Leste é resultado de um acordo de comércio exterior entre Brasil e Paraguai firmado a partir das primeiras negociações que conduziriam à construção da Itaipu. Um dos três principais pontos comerciais do mundo, a cidade funciona como uma zona franca. Por isso, o governo brasileiro jamais considerou a possibilidade de instalar uma estrutura com o mesmo propósito em Foz do Iguaçu. Assim, desde o fim da década de 1980, a intenção dos empresários de Foz é a implantação de uma Área de Livre Comércio, que somente agora está prestes a sair do papel.

 

Fonte: O Paraná

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