A presidente Dilma Rousseff e o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, exoneraram João Vaccari Neto da função de conselheiro da Itaipu Binacional. Segundo decreto publicado no Diário Oficial da União, a exoneração ocorre “a pedido” de Vaccari Neto, tesoureiro nacional do PT. O petista tem sido citado em depoimentos da Operação Lava Jato como operador do partido no esquema de desvios da Petrobras.
Em substituição a Vaccari, o governo nomeou Giles Azevedo, que ficará no cargo até 16 de maio de 2016. Azevedo já trabalhou como chefe de gabinete da presidente Dilma Rousseff. Cada conselheiro de Itaipu ganha, por mês, R$ 20.804,13. O Conselho realiza seis reuniões ordinárias por ano, de acordo com calendário aprovado na última reunião do exercício anterior.
A saída de Vaccari já era esperada. Em outubro do ano passado, ele havia comunicado informalmente que deixaria o órgão. Na época, em reunião preliminar do Conselho da Hidrelétrica de Itaipu, afirmou que “estava sendo injustamente acusado” e negou que seria o operador de um esquema de corrupção que envolvia desvio de recursos da Petrobrás e Fundos de Pensão para o Partido dos Trabalhadores, se dizendo “inocente”.
Vaccari chegou ao posto por nomeação da própria presidente, em 2003, quando era ministra de Minas e Energia. Com mandato de quatro anos, desde então o tesoureiro petista vinha sendo reconduzido como conselheiro. A remuneração por participação nas reuniões do conselho de Itaipu é de R$ 20.804,13. O conselho se reúne apenas seis vezes por ano, mas podem acontecer encontros extraordinários.
O petista anunciou que deixaria o conselho a três dias do segundo turno das eleições, em outubro do ano passado. O comunicado da saída ocorreu depois que o então candidato Aécio Neves (PSDB), no último debate entre os candidatos a presidente, mencionou a presença dele no conselho da empresa. “A senhora confia nele?”, questionou Aécio em diversas ocasiões. Vaccari também responde, desde 2010, a denúncia do Ministério Público por suposto desvio de recursos, da Bancoop, uma cooperativa habitacional. A Justiça chegou a determinar a abertura de suas contas bancárias em na investigação sobre as irregularidades.
Defesa
Em reunião do Diretório Nacional do PT, no final do ano passado, Vaccari disse aos dirigentes do partido, dizendo que “tudo o que foi arrecadado foi contabilizado” formalmente nas contas do partido. Vaccari teve, mais uma vez, os sigilos telefônico, fiscal e bancário quebrados pela CPI mista da Petrobrás. Na ocasião, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, também fez uma defesa contundente do tesoureiro. Falcão disse que não existiria “nada concreto” contra ele. “Nosso papel é defendêo”, conclamou Falcão.
Durante as investigações da Lava Jato, a Polícia Federal encontrou uma planilha na qual a cunhada de Vaccari, Marice Correa de Lima, aparece como beneficiária de uma remessa de R$ 220 mil do doleiro. Vaccari já negou várias vezes ter participação no esquema. No PT, a posição do tesoureiro do partido é vista com tranquilidade. O partido, no entanto, não descarta que “a PF arrume uma alegação arbitrária” para envolver ou até mesmo pedir a prisão do tesoureiro.
Fonte: Bem Paraná