A Bovespa acompanhou o sinal negativo das bolsas americanas ontem, pressionada pelas ações de bancos, Petrobras e da Oi. Lá fora, o ritmo lento de recuperação da economia mundial voltou a preocupar os investidores e derrubou novamente a cotação do petróleo.
Aqui, segundo o estrategista do BB Investimentos, Hamilton Moreira Alves, o Ibovespa caiu com dúvidas sobre empresas específicas e os rumos da economia brasileira, enquanto aguarda novas sinalizações da equipe econômica. Alves afirmou que o mercado teme os números do balanço da Petrobras, que deve sair ainda este mês, bem como os efeitos das investigações da Operação Lava-Jato sobre os investimentos da empresa e em sua cadeia de produção.
O Ibovespa fechou em baixa de 1,43%, para 48.140 pontos, depois de fazer mínima nos 47.955 pontos (-1,81%). O volume foi mais fraco do que nos últimos pregões, com giro de R$ 5,620 bilhões.
Petrobras PN (-5,21%) e ON (-5,59%) devolveram os ganhos registrados no fim do pregão de sexta-feira e voltaram a sentir o tombo do petróleo no mercado internacional. O contrato futuro do Brent recuou mais de 5%, para a casa de US$ 47,50 por barril.
O Goldman Sachs reduziu suas projeções para o preço do Brent esse ano, de US$ 84 para US$ 50 o barril. Com isso, o preço-alvo em doze meses para as ações PN da Petrobras caiu de R$ 12 para R$ 11.
O mercado segue na expectativa pela divulgação do balanço do terceiro trimestre. “Até lá, a influência do preço do barril de petróleo e as especulações em relação a uma possível troca no comando da empresa devem ditar o comportamento dos papéis”, afirmou o estrategista da CM Capital Markets, Marco Aurélio Barbosa.
O setor bancário também ajudou a pressionar o Ibovespa. A ação PN do Itaú caiu 2,41%, seguida por Bradesco PN (-1,77%), Banco do Brasil ON (-1,73%) e Santander Unit (-1,09%). Várias notícias negativas têm atingido o setor nos últimos dias.
Na semana passada, relatório da Fitch Ratings alertou que os bancos podem ter de reforçar suas provisões para créditos concedidos a companhias investigadas pela Operação Lava-Jato. No domingo, a “Folha de S.Paulo” informou que a derrocada de Eike Batista custou caro aos bancos. Até agora, segundo o jornal, o setor amarga perdas de pelo menos R$ 7,9 bilhões.
Oi PN teve depreciação de 13,63% e liderou a lista de maiores baixas do dia. O mercado aguardava com apreensão a assembleia de acionistas da Portugal Telecom, que votaria a venda de ativos da Oi em Portugal aos franceses da Altice.
No entanto, diante da pressão do regulador de mercado português, a CMVM, a votação foi adiada para 22 de janeiro. Ao adiar a decisão, a Oi segue em uma delicada situação financeira, com pouca flexibilidade para participar de um eventual movimento de consolidação no Brasil.
Em Lisboa, a negociação com ações da Portugal Telecom está suspensa desde sexta, por decisão da CMVM, que cobra a divulgação de “informações relevantes”.
Entre as altas do dia ficaram BB Seguridade ON (2,38%), Braskem PNA (1,91%) e Ambev ON (1,88%).
Fonte: Valor Econômico