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Assembleia repete “pulverização” partidária do Congresso Nacional

A Assembleia Legislativa começa o novo mandato reproduzindo no plano estadual a pulverização partidária verificada nacionalmente no Congresso. A partir de 1º de fevereiro, o parlamento paranaense passará a ter 16 partidos representados na Casa. Esse número representa quase o dobro do total de partidos que obteve, há 20 anos, uma cadeira na Assembleia. Em 1994, apenas nove siglas saíram das urnas com uma vaga no Legislativo estadual. Há quatro anos, eram quatorze.

Esse mesmo cenário se verifica na Câmara Federal. Há duas décadas, apenas quinze partidos conseguiram eleger deputados federais. Nas eleições do ano passado foram 28 o total de siglas que garantiu representação na Casa, contra 22 há quatro anos. Há vinte anos, os partidos que garantiram representação na Assembleia paranaense foram PMDB, PDT, PFL, PTB, PP, PT, PSDB PPR e PSC. Em 2010, a lista incluía PMDB, PT, PDT, PSDB DEM, PP, PRB, PTB, PSC, PSB, PPS, PV, PSL e PMN. No “meio do caminho”, porém, o PTB perdeu sua única cadeira na Casa, com a eleição de Fábio Camargo para conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, em julho de 2013. E o PSD, que não existia há quatro anos, e foi criado em 2011 sob a liderança do ex-prefeito de São Paulo e atual ministro das Cidades, Gilberto Kassab, justamente para burlar a lei da fidelidade partidária, conquistou duas cadeiras com a adesão dos deputados Ney Leprevost e Marla Tureck à sigla, ele oriundo do PP e ela do PSDB.

Brecha – O mesmo Kassab, aliás, se prepara agora para refundar outra legenda, o extinto Partido Liberal, com a intenção de atrair descontentes de várias legendas para ampliar a base de apoio do governo Dilma Rousseff. Por conta disso, o DEM – de onde o ex-prefeito de SP saiu para criar o PSD e foi justamente uma das maiores vítimas da criação da nova sigla – prepara uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que a Justiça tome uma posição para o que considera uma tentativa de fraudar a legislação eleitoral.

Isso acontece porque apesar da regra da fidelidade partidária ter sido instituída em 2007, pelo TSE, ela deixou uma brecha para que políticos com mandato pudessem mudar de sigla se fosse para migrar para uma legenda recém-criada. Essa brecha foi o estopim para a criação não só do PSD, mas de várias outras siglas, como o PROS (Partido Republicano da Ordem Social), surgido em 2013, com a adesão de 20 parlamentares, e que no ano passado elegeu 11 deputados federais. E o Solidariedade (SD) – criado sob a liderança do deputado federal e sindicalista Paulinho da Força (SP), também no segundo semestre de 2013, com a adesão de 22 parlamentares, e que elegeu quinze deputados no ano passado.

No Paraná, o SD é um dos “estreantes” na Assembleia, onde chega com a eleição de Felipe Francischini, de 23 anos, filho do deputado federal reeleito e secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Francischini. Além disso, o PTB volta a ter representação na Casa, com Tião Medeiros, eleito com 31.812 votos.

 

Fonte: Bem Paraná

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