O atual cenário econômico e a agenda do Banco Central foi o tema do IV Fórum de Gestão Pública da Faciap, ocorrido no dia 29 de maio, no Teatro Positivo, em Curitiba, que contou com a presença dos diretores do Banco Central: o diretor de Regulação, Otávio Ribeiro Damaso; o diretor de fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza e de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, Maurício Costa Moura.
O presidente da Faciap, Fernando Moraes, abordou a importância da economia real para a geração de riquezas e empregos e o desenvolvimento econômico: “a maneira mais conhecida para investir na economia real é empreender. E isso, nós, empresários, fazemos diariamente”, afirmou, ao destacar a dificuldade que os empresários têm para empreender no atual cenário em que a economia nacional transmite certa insegurança com a inflação dando sinais de crescimento.
Na sequência, Darci Piana, vice-governador do Paraná e presidente do Sistema Fecomércio, falou sobre a riqueza do conteúdo abordado num fórum como este. “Tenho certeza de que sairemos daqui com o conhecimento muito melhor, teremos informações importantes para levar aos nossos representados. Faço essa interface entre iniciativa privada e governo defendendo interesses de ambos e posso afirmar que esses encontros são muito produtivos”, disse.
Conhecendo o Brasil
Representando o presidente do Banco, Roberto Campos Neto, o diretor de Regulação, Otávio Ribeiro Damaso fez a palestra com o tema central do Fórum “Cenário econômico e agenda do BC#”. Antes de iniciar sua fala no evento, Damaso frisou que nos últimos anos o BC tem buscado conhecer melhor o Brasil e seus segmentos sociais e empresariais, mostrando como está a economia e como é que o Banco Central está conduzindo sua política monetária. “Isso é extremamente importante para vocês se planejarem melhor, entendendo o rumo da economia, isso é um componente importante na tomada de decisões do empresariado”, afirma.
Damaso explanou como está a economia global diante da crise da Covid-19 e sua interferência na economia brasileira, e agora, com a crise gerada pelo conflito Rússia e Ucrânia e enfatizou que os aspectos econômicos e geopolíticos só serão sentidos e esclarecidos nos próximos meses
O diretor de Regulação enfatizou que o mais de Relevante no momento é ficarmos atentos às sanções econômicas impostas pelos governos e organismos internacionais, isso trará um novo componente de pressão inflacionária no mundo, independentemente do desfecho do conflito. Na continuação, Damaso explicou que o BC acredita que a crise da Covid e a guerra trarão uma reorganização das cadeias globais de valores, criação na produção e no suprimento de insumos, efeito sobre produtividade de energia e alimentos, o que é visto como oportunidade para o Brasil.
Por fim, o diretor falou sobre a política monetária do Brasil e a expectativa do mercado em relação ao crescimento do PIB para os próximos meses, ressaltou o uso do crédito para a atividade econômica “A gente está com uma expectativa do crédito se expandir em torno de uns dez por cento este ano”, explica. Damaso enfatiza os pontos positivos, explicando os prováveis investimentos do mercado internacional no Brasil, haja vista que nosso país é emergente, e o conflito da Rússia e Ucrânia trouxe olhos para o nosso mercado. Ao final ele pede que os empresários fiquem atentos a todo esse cenário econômico. “É importante estarmos atentos ao que pode acontecer no mundo, nas cadeias globais, na questão de energia nos próximos anos e, sempre que possível, a gente vai estar junto com vocês, tentando explicar o que o Banco Central está analisando e nos nossos relatórios vocês obterão várias informações”.
Dando sequência ao tema central, Paulo Sérgio Neves de Souza, diretor de Fiscalização do Banco Central, falou sobre o papel do BC na economia. “O principal papel do Banco Central é assegurar que todas as transações sejam cursadas, sejam efetivamente realizadas, que o sistema financeiro esteja disponível a qualquer tempo para aquele cidadão, para aquela empresa que está colando recursos no sistema financeiro”.
O diretor Maurício Costa Moura, de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, trouxe três temas sobre a pauta de trabalho intitulada Agenda BC#, que o Banco Central tem cumprido. Moura explicou sobre Transparência, Educação Financeira e Prevenção à Lavagem de Dinheiro.
Painel
Na segunda parte do Fórum no painel “A Importância do Sistema Financeiro na Economia Real”, além dos diretores do Banco Central participaram Manfred Dasenbrock, Wilson Cavina e Alziro Thomé, presidentes Central Sicredi PR/SP/RJ, Conselho do Sicoob Central Unicoob e Central Cresol/Baser, respectivamente.
Dasenbrock reforçou a importância da Educação Financeira desde a infância, a parceria feita pela Sicredi com a Maurício de Sousa Produções, uma série especial de revistas em quadrinhos da Turma da Mônica com a temática "educação financeira para crianças". Além disso, o presidente colocou como de extrema importância a sensibilidade do olhar com a inclusão e diversidade, juntamente com o conhecimento sobre sustentabilidade ambiental.
Wilson Cavina fortaleceu as questões levantadas, explicou o cooperativismo nos negócios econômicos. “Estamos inseridos no mercado financeiro para fazer o bem às pessoas, o financeiro é o meio, pessoas são o resultado”. Cavina finalizou enfatizando a ideia de que a sustentabilidade tem de ser contínua e permanente para dar suporte adequado a todas as pessoas.
Ao final do painel, Alziro Thomé complementou o debate falando da importância dos programas que cada cooperativa financeira possui e os resultados positivos de suas ações. “As cooperativas de crédito, produção e comercialização fazem a diferença na formação do nosso cooperado, que nos consulta o ano todo. Precisamos criar um relacionamento junto ao cooperado, à comunidade e à sociedade, ouvir suas demandas e assim estarmos preparados para atender as demandas necessárias, é com esse formato que vamos fazer a diferença no Brasil”.
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