Quando o empresário Adecir Farias de Lima decidiu criar a associação comercial, em 2014, em Foz do Jordão, município da região Centro-Oeste do Paraná, o principal desafio era contribuir para o crescimento do comércio. E isso só poderia acontecer se a cidade tivesse uma agência bancária.
Foz do Jordão possui pouco mais de 5 mil habitantes. Por ser pequeno, não despertava o interesse dos bancos a se instalarem no município. Na época, a cidade tinha apenas pontos de atendimento do Banco do Brasil e do Bradesco. Mas o serviço limitava o valor de pagamento de boletos e não possibilitava a realização de transações financeiras importantes, como empréstimos e financiamentos. Por isso, restava aos moradores abrir contas em agências de municípios vizinhos.

Em dias de pagamento, os moradores se deslocavam para as agências e, com o dinheiro em mãos, acabavam consumindo nesses locais. “Muitos moradores de Foz do Jordão tinham parcelamentos e compras no crédito em lojas de fora”, conta Adecir Farias de Lima. “O que prejudicou muito o nosso comércio”.
O empresário, que é dono de uma loja de departamento, preocupado com empresas fechando em Foz do Jordão, decidiu criar a associação comercial do município, usando a experiência que tinha acumulado durante o período em que atuou como diretor da associação comercial de Candói. Em novembro de 2014, foi fundada a Associação Comercial e Industrial de Foz do Jordão (Acifoz). E junto com ela, iniciou a luta da diretoria para atrair uma agência bancária para a cidade.

Foram várias reuniões com representantes de grandes bancos. “As instituições fizeram estudos e disseram ser inviável abrir uma agência em Foz do Jordão porque o município não tinha clientes em potencial o suficiente”, conta Adecir de Lima.
Paralelamente, a diretoria da associação fazia contatos com o Sicoob. O foco principal sempre foi uma cooperativa financeira, por ter um atendimento mais personalizado e taxas melhores. Para convencer o banco, a associação reuniu assinaturas de comerciantes em um termo em que eles se comprometiam a se tornarem clientes no caso de uma agência se instalar na cidade. Em 2016, em uma reunião em Candói com membros da diretoria do Sicoob, o termo de compromisso foi entregue. Naquele mesmo ano, os empresários de Foz do Jordão reforçaram o pedido a Jefferson Nogaroli, membro da diretoria do Sicoob, em um encontro durante a Convenção Anual da Faciap.

Primeiramente, o banco recusou a proposta, alegando que não havia garantias de que conseguiria se manter aberto. “A essa altura, eu estava quase desistindo”, conta Adecir de Lima. Mas uma mudança na legislação federal reascendeu a esperança do empresário.
Em 2017, o Congresso decidiu que cooperativas financeiras teriam permissão para receber depósitos de prefeituras, e órgãos e entidades controlados pelos municípios. “Hoje, o grande empregador em Foz do Jordão ainda é a prefeitura. O município se tornando cliente do banco, o risco financeiro diminuía”, conta o presidente da Acifoz.
Então, em novembro do mesmo ano, o Sicoob aceitou se instalar em Foz do Jordão. Depois de três anos de negociações, o município finalmente teria uma agência bancária.

A parceria da prefeitura foi imprescindível. O governo municipal ofereceu arcar com custos da agência, como água e luz, durante três anos, como uma forma de incentivo. “A prefeitura entendeu que uma agência bancária traria crescimento para a cidade”, disse Adecir de Lima.

Hoje, o local em que a agência vai funcionar está em obras. A inauguração está prevista para março.
Fortalecimento
O banco não foi a única conquista da Acifoz. A associação foi criada no auge da crise econômica. Hoje, trabalha não apenas com um caixa positivo, mas possui uma reserva financeira. São 28 associados, que têm acesso a palestras, treinamentos e campanhas criados para ajudar o comércio a crescer. “Batalhamos bastante, não é fácil, mas considerando as dificuldades que entidades pequenas como a nossa entidade têm, penso que realizamos muito e que temos muitas vitórias”, comemora Adecir de Lima.
