A história de vida de Gilberto Amauri de Godoy Filho, o Giba, é uma inspiração a quem não tem medo de fazer diferente para chegar à excelência. Natural de Londrina, ele precisou vencer uma doença grave (leucemia) já nos primeiros anos de vida para poder materializar seus projetos e sonhos. E só descobriu o vôlei depois de entender que não gostava de esportes individuais nem daqueles que tinham contato.
“Assim, o vôlei se mostrou como a opção mais acertada”, disse o campeão olímpico durante a palestra Esporte x ambiente corporativo, que encerrou a programação oficial da XXV Convenção Anual da FACIAP na noite desta sexta-feira, no Recanto Cataratas Thermas e Resort, em Foz do Iguaçu. Desde quarta-feira, o evento reuniu mil empresários de várias regiões do Paraná em palestras, painéis e debates com foco no tema Líderes como atores do desenvolvimento.
Giba enfrentou inúmeros desafios no início da carreira, até com a altura. Era baixo demais (1,92 metro) para o esporte que queria praticar. Ele respondeu aos céticos com títulos e com prêmios sucessivos de melhor jogador de partidas e de campeonatos. “Aprendi cedo que o coletivo é muito maior que o individual, e que a equipe é tudo para o sucesso de uma empresa, de uma comunidade e de um País”.
No imenso currículo de títulos que Giba coleciona, alguns são especiais, como o tricampeonato olímpico, ser escolhido seis vezes como o melhor atleta do mundo e ter vencido por oito vezes a Liga Mundial de Vôlei. Ele falou também da vencedora geração comandada pelo técnico Bernardinho, de 2001 a 2012. Entretanto, ressaltou o jogador, as conquistas exigiram um planejamento iniciado em 1983. “Uma base sólida e bem estrutura é indispensável para o êxito de qualquer projeto”.
Sistemático, Giba afirmou jamais começar uma frase com as palavras não, se e será. O espírito de superação deve suplantar o negativismo ou vitórias condicionais. O treino e o planejamento foram elementos empregados pelo jogador para superar, além da baixa estatura para o vôlei, outras limitações que tinha. “Sempre trabalhei muito e, felizmente, pude colher os frutos desse esforço todo”. O atleta chegou a morar na Rússia e a enfrentar temperaturas de até 59 graus negativos na Sibéria para treinar e jogar.
O planejamento fez com que Giba encerrasse a carreira no auge. Ele decidiu parar com a Seleção Brasileira em 2012 e com os clubes em 2014. Ele afirma que não se arrepende justamente porque tudo foi cuidadosamente pensado. O jogador disse também que a carreira de qualquer atleta, diferente da maioria das empresas, começa muito cedo e também termina prematuramente. Por isso, avança aquele que por mais tempo sabe e consegue equilibrar condicionamento e experiência. Concentração e foco são importantes, citou, para encerrar com um conceito de Bernardinho, que é possível tirar o melhor de cada um quando é o melhor é necessário. “Derrota não é problema, porque a cobrança na vitória é igual ou até maior”, disse.
