×

Tesoureiro do PT é denunciado na Lava Jato

O procurador da República que coordena as investigação da Operação Lava Jato, Deltan Martinazzo Dallagnol, afirmou na tarde de ontem, em coletiva de imprensa, que há “amplas provas” do envolvimento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, no esquema de corrupção na Petrobras. Segundo Dallagnol, cabia a Vaccari Neto indicar as contas dos diretórios que recebiam os depósitos com recursos oriundos de propina, que depois eram “lavados” como doações eleitorais supostamente legais. “Foram 24 doações ao PT”, afirmou o procurador.

O Ministério Público Federal denunciou à Justiça Vaccari Neto por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O petista consta da lista de 21 alvos da nova denúncia da Procuradoria no âmbito da Lava Jato, relativa à Operação My Way, nona fase da Lava Jato, deflagrada em fevereiro. É a primeira acusação formal contra ele e também a primeira contra o ex-diretor da estatal Renato Duque, preso ontem, no Rio, na décima fase da operação, batizada de “Que País é esse?”.

Também estão nessa denúncia o empresário Adir Assad – investigado sob suspeita de manter empresas laranjas e usá-las para lavar dinheiro – e Lucélio Roberto von Lehsten Góes, filho de Mario Góes, que já está preso em Curitiba e é apontado como operador do esquema de corrupção na Petrobras. Os três foram presos na manhã de ontem, na décima fase da investigação que apura um esquema de corrupção na Petrobras.

Além deles, Sonia Mariza Branco e Dario Teixeira Alves Junior também foram citados. A Polícia Federal cumpre também mandados de prisão contra eles. A nova denúncia, segundo os promotores, envolvem desvios em quatro obras da Petrobras: gasoduto Urucu-Coari, refinarias Araucária e Paulínia e gasoduto Pilar/Ipojuca. Também segundo os promotores, há empresários envolvidos nessas nova denúncia, entre eles executivos da OAS, Mendes Jr e Setal.

De acordo com o procurador, Vaccari Neto tratava do assunto em reuniões com o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e as propinas eram descontadas da diretoria de Serviços, que era comandada por Duque. “Vaccari tinha consciência de que esses pagamentos eram feitos com propina”, afirmou, destacando que o acerto dos valores era feito com “regularidade”.

Dallagnol destacou que a doação eleitoral em si não é crime, mas que no caso a origem dos valores era escondida e a propina era repassada como doações legais. “Era um esquema sofisticado e complexo para dar uma aparência lícita a recursos ilícitos”, afirmou. Segundo o procurador, o pagamento era feito algumas vezes “em espécie” por Duque ou pelo ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco, que era braço-direito de Duque. Em sua delação premiada, Barusco afirmou que o tesoureiro do PT arrecadou “até US$ 200 milhões” para o partido, via Diretoria de Serviços. Vaccari Neto e o PT até o momento negam qualquer irregularidade, reiterando que trabalham apenas com doações legais.

No dia 10, o PT informou a decisão de processar o ex-gerente-executivo Pedro Barusco pelas acusações feitas contra o partido durante sessão da CPI da Petrobras. O partido apontou falta de provas nas afirmações.

 

Fonte: Folha de Londrina

Post recentes