Eduardo Sciarra assumiu, em janeiro, a posição de secretário- chefe da Casa Civil do Estado do Paraná. Ex-presidente de Associação Comercial e ex-deputado Federal, ele se tornou o principal articulador do Governo Estadual. Confira entrevista cedida à revista Empresa & Cia:
Eduardo Francisco Sciarra nasceu em Londrina em 05 de outubro de 1952 e é formado em Engenharia Civil pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), de São Paulo. Empresário da construção civil foi presidente da Associação Comercial de Cascavel, Conselheiro do CREA-PR, diretor da Associação Paranaense dos Empresários de Obras Públicas e presidente do Sindicato da Construção Civil do Oeste do Paraná (Sinduscon-Oeste). Em 1998 assumiu a Secretaria de Estado da Indústria e Comércio. Quatro anos depois foi eleito para o primeiro mandato de deputado federal pelo PFL. Foi reeleito em 2006 e 2010, já filiado ao DEM. Na Câmara foi um dos líderes do movimento Xô CPMF. Atualmente é presidente estadual do PSD e, neste ano, assumiu a Casa Civil do Governo do Paraná a convite do governador Beto Richa.
– Quais estão sendo suas principais vertentes de atuação à frente da Casa Civil?
Eduardo Sciarra – Primeiro, preciso dizer que é uma honra poder servir o nosso Estado nesta nova função. A Casa Civil tem o papel de articular as políticas do Governo do Estado e coordenar programas e ações, em parceria com a Secretaria do Planejamento. Neste momento, estamos reorganizando processos. Um dos nossos principais focos de trabalho é a desburocratização do sistema público no Paraná. Acredito que seja uma ação que vai contribuir para o desenvolvimento do Estado e facilitar a vida de quem empreende e gera empregos.
– O Senhor já foi presidente da Associação Comercial de Cascavel. Qual a importância dessa experiência e no que ela passou a agregar em sua trajetória política e como gestor?
Eduardo Sciarra – Tive a oportunidade e a felicidade de iniciar a vida pública atuando em instituições representativas do setor privado. Esta experiência me deu a chance de expandir meus conhecimentos e enxergar o contexto socioeconômico sob uma ótica empresarial mais ampla. Também confirmou a importância em ser prático em tudo aquilo que faço. Da vivência em entidades setoriais levei muitas bandeiras para a vida pública. Assim, como deputado federal pude contribuir para a aprovação de medidas como o fim da CPMF, a criação da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, a lei do Supersimples, que embora longe do ideal contribui para o desenvolvimento de micro e pequenas empresas. Neste segmento, não posso deixar de lembrar da luta pela Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, uma das nossas principais conquistas na Câmara Federal.
– Como o senhor avalia o atual momento da política econômica e social brasileira?
Eduardo Sciarra – O Brasil está passando por um momento extremamente delicado e de muitas dificuldades no campo econômico e nas relações políticas. Os desajustes têm claro reflexo na área social. Estamos neste estágio porque muitas mudanças quedeveriam ter sido feitas no passado para corrigir os rumos da macroeconomia, ainda em função da crise internacional que afetou o mundo a partir de 2008, não aconteceram. Hoje é necessário adotar as chamadas medidas impopulares para fazer o País se reequilibrar. O Paraná não é uma ilha neste processo. Vivemos uma crise, com perda severa de arrecadação, que nos obriga a tomar medidas duras, mas responsáveis e necessárias. O momento é tão peculiar que foi necessário contingenciar quase 25% do orçamento deste ano porque não há perspectiva de que as receitas previstas de confirmem. Os ajustes propostos pelo Estado são para garantir que em um curto prazo de tempo haja condições para investir e evitar que dívidas se acumulem.
– A notícia do pacote de medidas para melhoria do caixa do Estado que inclui aumento da tributação em diversos pontos desapontou os empresários e a população. Quando o Senhor acredita que poderemos ver os primeiros resultados positivos dessa decisão e como isso poderá impactar para o setor produtivo paranaense, especialmente as micro e pequenas empresas?
Eduardo Sciarra – Obviamente que qualquer aumento de imposto causa desconforto. Mas o que propusemos no Paraná foi uma adequação à política tributária praticada na maioria dos estados brasileiros, que distribuem a carga por vários setores. Aqui, nossa arrecadação estava amparada no tripé: energia, combustíveis e telecomunicações. De todo modo, as alterações propostas preservam benefícios de micro e pequenas empresas. Sobre os impactos, o que da para dizer é que este ano será de ajustes, mas poderemos ver os resultados acontecendo no segundo semestre. A partir de2016 retomaremos a capacidade de investimento do Estado e o Paraná vai crescer acima da média nacional. Teremos dificuldades neste início, isso é inegável, mas não faltará transparência e nem empenho de nossa parte para levar adiante ações que vão contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população do Paraná.
– A respeito das medidas de Governo anunciadas para cortar gastos internos também com o objetivo de promover melhorias no caixa, como o setor produtivo poderá fiscalizar ações junto ao governo, dentro dos órgãos competentes?
Eduardo Sciarra – O governador Beto Richa nos deu uma tarefa de ampliar a interação com as instituições e os cidadãos paranaenses. Estamos organizando fóruns de diálogo como forma de aproximar o governo dos diversos segmentos da sociedade. A fiscalização dos atos de governo é essencial, até para que possamos corrigir eventuais desvios de rumo. Estaremos sempre abertos ao diálogo, à crítica e sugestões que nos ajudem a melhorar a gestão pública. Nosso propósito é fazer uma administração que orgulhe os paranaenses.
– O que o movimento de Associações Comerciais pode esperar para o estreitamento do relacionamento com o governo estadual?
Eduardo Sciarra – Portas abertas. Sempre estaremos à disposição dos empreendedores para apoia-los em suas demandas. O governo deve ser aliado do setor privado. Além disso, o empresariado pode esperar muito empenho da equipe do governador Beto Richa para fazer as transformações que o Paraná ainda precisa.