O fraco desempenho da indústria em 2014, aliado às perspectivas ruins para este ano, levou o percentual de empresas que pretendem investir ao menor nível da série histórica iniciada em 2010. Segundo a pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 69,3% pretendem investir em 2015 – eram 78,1% no início de 2014.
A incerteza econômica aparece em primeiro lugar entre os principais entraves ao investimento neste ano apontados pelos participantes da pesquisa, com 77,4% das respostas. O percentual é bem acima do assinalado em 2014, de 60,9%. Em seguida vem a reavaliação da demanda, com 45% das respostas, e o custo do crédito, com 34,2%.
O gerente-executivo de políticas econômicas da CNI, Flávio Castelo Branco, avaliou que os problemas da economia se intensificaram e o desempenho da indústria em 2014 foi negativo, com as perspectivas sendo frustradas. Isso estaria se refletindo no cenário para 2015.
Ele destacou ainda que, ao longo do ano passado, os empresários da indústria indicaram que não estavam utilizando toda a capacidade instalada da empresa. “Quando a capacidade instalada mostra ociosidade, isso é um desestímulo para investir, porque empresários sentem que têm capacidade para atender uma eventual demanda.”
O economista ressaltou também a correlação entre investimento e emprego. “Se há uma perspectiva pouco favorável em termos de investimento para 2015, isso vai se refletir em um mercado de trabalho bem mais desaquecido”, disse.
A pesquisa também mostra que a maioria dos empresários pretende melhorar o processo produtivo atual em vez de aumentar a capacidade. A primeira opção ficou com 36,1% das respostas, contra 25,1% da segunda opção. Em terceiro lugar vem a introdução de novos produtos, com 17,8%.
A intenção de investimento em 2015 é menor do que o de empresas industriais que investiram em 2014. Essa fatia representou 71,8% do total das indústria. Esse resultado também foi o mais baixo da série histórica para o segmento, iniciada em 2009.
Do total, 41,4% das empresas pesquisadas realizaram os investimentos como planejado. Outros 39,8% o fizeram de forma parcial. A pesquisa da CNI também revela que 7,5% das empresas adiaram os planos de investimento em 2014 para este ano e 9,2% adiaram a intenção por tempo indeterminado ou cancelaram o plano.
A principal razão para a não realização dos investimentos desejados, diz a pesquisa, foi a incerteza econômica, com 72,9% das respostas sendo das empresas que não realizaram o plano completo de investimento.
Fonte: Valor Econômico