Notícia

O futuro desenhado a milhares de mãos

quinta, 13 de dezembro de 2018
Artigo do presidente da Faciap, Marco Tadeu Barbosa

Hoje, fazer qualquer empreendimento crescer, seja uma empresa ou uma associação comercial, significa mais. Não é apenas enriquecer com um produto ou serviço. É trabalhar com uma visão maior. É enxergar que aquilo que um empresário faz em sua cidade, a maneira como ele leva seus negócios, a cultura da sua empresa e o grau de envolvimento que tem com a realidade à sua volta, podem sim ressoar no momento do país.

Há notícias ruins e sabemos todas de cor. O Brasil está em uma profunda crise institucional e de valores. A desesperança do brasileiro em relação a governantes verdadeiramente comprometidos em tirar o país dos piores rankings já é palpável e contabilizada em pesquisas de pessimismo. Porém, quando o foco está acertado somente no que está desmoronando, podemos cometer o erro de nos esquecermos de olhar para aquilo que está sendo construído em meio aos escombros.

O potencial para grandes transformações existe. Aos poucos o setor produtivo começa a entender seu papel no combate à corrupção. Hoje, nós empresários já compreendemos que devemos fazer mais do que apenas exigir transparência do governo e punição aos corruptos. Precisamos também agir para mexer no cenário político e social, já que também estamos inseridos nele.

Começamos a ver movimentos de empresários que decidiram rever procedimentos internos para implantar políticas mais éticas dentro dos seus próprios negócios e inspirar, conscientizar e dar o exemplo. Homens e mulheres de negócios que, agora, dedicam parte de sua rotina, antes só corporativa, para estudar medidas, criar projetos, pensar ações que vão trazer melhorias práticas para a rotina não de apenas alguns poucos brasileiros, mas de toda a sociedade. A pedra jogada na água que causa ondas em todo o rio.

Claro que ainda precisamos modificar mentalidades. Mas não há como não se sentir otimista ao ver a atuação das associações comerciais, tão fundamentais para colocar esta mudança em prática já que funcionam não apenas como suporte para comerciantes e lojistas, mas também como espaços para a discussão de ideias e a disseminação de novos conhecimentos. É dentro da associação comercial que o empresário vai sentar um instante para refletir a respeito de como afetar positivamente a sua realidade e colocar em prática ações que possam repercutir em todos os estados.

Um ato inspirador pode resultar em muitos outros. Além disso, tem o poder de fazer links entre entidades que, até então, não se conversavam. Vi representantes da sociedade civil organizada, formada por diversos setores, unidos não apenas nas ruas, pedindo numa mesma voz por mais ética e transparência, mas sentados juntos em salas fechadas para discutir uma agenda positiva, prática e contundente para fazer o Brasil voltar a andar.

Há exemplos de outros países que, historicamente, só foram capazes de crescer depois de passar por verdadeiras devastações. A Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953, deixou a península coreana dividida e empobrecida. A Coreia do Sul tinha um PIB per capita menor que o de muitos países africanos. Hoje, é uma das maiores economias do mundo e um gigante de manufatura. Gana, considerado um dos países mais estáveis da África Ocidental, a partir de 2013 viu sua economia despencar ladeira abaixo. Em 2018, um resultado surpreendente: teve o maior crescimento do mundo, segundo o Banco Mundial. Analisando a trajetória desses países, podemos concluir rapidamente que o Brasil tem o potencial para estar nessa mesma lista de economias que se reergueram.

Outro ponto positivo é que hoje há mais ferramentas que favorecem o desenvolvimento. O mundo está sendo mudado pela tecnologia e pela inovação. Com elas, podemos preparar as entidades e as empresas para atenderem às demandas do mundo corporativo de hoje, com uma gestão mais moderna, e iniciar uma transformação no curso da história do Brasil, que é também a nossa. Precisamos de sabedoria para enfrentar e desenhar o futuro. Acredito não em governos, mas em nossa habilidade de fazer as coisas. E com colaboração e trabalho conjunto, podemos varrer todas as cinzas e alcançarmos marcos econômicos, políticos e sociais em meio a um período turbulento de transições.

Fonte: Marco Tadeu Barbosa, presidente da Faciap